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No contexto da agricultura familiar, quando se prioriza o enfoque de gênero, percebe-se que a desvalorização das múltiplas tarefas femininas nas estatísticas oficiais é um reflexo que perpassa toda a sociedade e suas principais instituições, incluindo a família. É fato que na literatura a maioria das evidências sobre a exposição a agrotóxicos decorre de estudos realizados com homens, criando uma lacuna no conhecimento necessário para avaliar o risco inerente no trabalho residencial e/ou ocupacional das mulheres, quanto aos efeitos dessas substâncias. O objetivo desse estudo é analisar as relações da mulher com o cotidiano da agricultura familiar, na figura de provedora dos cuidados do lar, da família e do seu autocuidado no processo de trabalho, num cenário de manipulação e contato com agrotóxicos, além de conhecer em que medida as relações de gênero e poder perpassam globalmente pelo seu ciclo de vida. Como metodologia, foi utilizada a análise documental, através de bibliografia pesquisada em bibliotecas online, livros e sites de dados oficiais. Conclui-se, que a visibilidade da mulher inexiste a medida em que o silenciamento das suas vozes e a naturalização da sua ausência nas opiniões e tomadas de decisões políticas e sociais continuam a acontecer. O adoecimento físico e mental, advindo do meio naturalmente insalubre e hostil, continua a fazer da agricultora a figura vulnerável, dependente e invisível economicamente.